2014 nos Estados Unidos – O que se espera, o que muda

Barbieri e-mail marketingPublicado na revista MercadoComum

Edição 244 – Janeiro/Fevereiro de 2014

por Carlo Barbieri

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A economia americana deu sinais claros de que o pior já passou. Sem contabilidade criativa, os analistas conseguem ver que quase tudo está melhorando na terra de tio Sam.

Os consumidores, com uma taxa de desemprego diminuindo, os preços de ações atingindo os melhores valores desde 2007 e as residências aumentando de valor, estão mais otimistas e gastando mais. Seu índice de confiança é o melhor desde 2007.

Para se ter uma ideia: O Índice de Conforto Consumidor Bloomberg ( COMFCOMF ) atingiu uma média 31,4 em 2013 , o maior desde 2007, quando foi de 10,5 .

Foram gerados 195 mil trabalhos em dezembro, depois de um ganho de 203.000 no mês anterior. Mesmo que ainda seja um desafio para a economia, a geração de novos empregos pela iniciativa privada tem sido consistente.

Com os progressos até agora e como 70 % do PIB americano dependem dos serviços, esta notícia é muito boa. Seus gastos é que fazem crescer a economia.

Em dezembro as compras cresceram 8,8 pontos o que representa 4,7 pontos superior à média do ano.

As hipotecas, que tiveram seus valores reduzidos a uma média de 2,8%, começam a subir, indicando aquecimento da demanda.

Nos feriados de fim de ano, as vendas aumentaram 3,5% segundo a MasterCard, sendo menor porém nos itens de luxo (2,3%), o que indica o fortalecimento das compras da classe média.

Nestes totais vale destacar que as vendas “on line” estão incluídas e tiveram um crescimento maior que as vendas nas lojas.

Os carros também aumentaram suas vendas, atingindo 16,3 milhões em 2013, considerado o melhor nível desde 2007.

Entre os poucos grupos em o otimismo diminuiu no final de 2013, estão os membros do Partido Democrata (provavelmente em função dos problemas enfrentados pelo Obamacare), os graduados em Universidades e os trabalhadores em tempo integral (também temendo as consequências do Obamacare em seus empregos).

Outro grupo menos otimista são os de idade acima de 65 anos de idade e os de renda acima de $100,000 ao ano. Mais um fator que indica preocupação dos mais experientes com relação ao governo intervencionista. No entanto, em termos gerais, o otimismo é crescente.

Há alguns dados que devem ser levados em conta na análise do mercado americano em termos de planejamento, para aqueles que querem entender ou agir com mais acerto, no mesmo.

Assim, os compradores em lojas estarão gastando menos tempo nas pesquisas “in loco”. Esta estará sendo feita, com antecedência, “on line”, nos telefones celulares, tabletes ou mesmo em seus laptops. Quem não investir em mídias sociais e promoções “on line” está ficando para trás.

De acordo com o International Consul of Shopping Centers as vendas nas lojas em geral cresceram apenas 3% este fim de ano, contra 4,1% em 2012. Mais uma indicação do desvio do apetite do consumidor para vendas “on line”.

Na mesma linha de analise, a Katar Retail informa que as vendas em lojas cresceu metade dos 5,6% do ano anterior

Segundo a Alix Partiner, 41% dos consumidores iriam gastar menos no fim de ano, em compras relativas aos festejos do Natal e festas em geral, com relação ao ano anterior. A manutenção do consumo indica pois que, se caíram as intenções de generosos presentes e festas e os valores se mantiveram ou aumentaram, os consumidores buscaram itens relativos a suas necessidades pessoais e priorizaram a si mesmo e não a terceiros.

Esta analise se confirma com a pesquisa do Steelhouse Marketing Consulting quando foi feita a indagação a 1000 consumidores em sua amostra e cujos resultados principais estão a seguir. A pergunta básica era “Dado o estado atual da economia, como é que fara suas compras e mudar comportamentos de compra neste natal?”. As principais conclusões advindas da pesquisa foram:

  • 62% preveem que vão gastar menos dinheiro nos festejos dos feriados de fim de ano
  • 12% preveem que vão usar as mídias sociais para encontrar e compartilhar bons negócios
  • 11% preveem que vão usar cupons pela primeira vez
  • 56% das famílias estimam que vão fazer compras de comparação mais do que antes
  • 31% das mulheres declararam que vão passar mais tempo on-line em vez de em um shopping

 Em conclusão: a economia seguirá expandindo, mas os hábitos de consume estão mudando. O consumidor valoriza mais seu dinheiro, compra e gasta mais para si, gasta de forma mais cuidadosa comparando preços e buscando melhores opções.

As compras “on line” ganham mais espaço, em forma consistente, inclusive na área de alimentos.

Só a política pode mudar este tendência de melhora da economia dos EUA.

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