Ainda o trem

Apesar do desejo de todos, os indicadores da economia americana ainda nos dá conta que a luz que se vê ao final do túnel pode ser a do trem.

Os números revelam que neste passado mês de abril, as vendas no varejo caíram ainda 0,4% sobre a queda de 1,3% do mês anterior. A venda de gasolina caiu também no mês de abril, 2,3% comparado com março o que indica que a súbita elevação do preço do petróleo em maio pode não estar baseada na demanda. Sem contar que a queda em março já havia sido de 3,2%.

A própria Agência Internacional de Energia (AIE), em relatório recente, prevê uma queda de 3% no consumo de petróleo este ano, principalmente em face da queda na demanda nos principais países consumidores, como os EUA e a China. Os produtos eletrônicos também não tiveram um desempenho brilhante em abril, com uma queda de 2,8%, após um recuo de 7,8% em março.

O principal produto que teve uma variação positiva foi o de material de construção, que aumentou 0,3%, o que não é muito – principalmente considerando que em março havia ocorrido uma queda de 0,8%.

Se mantido o aumento do preço do petróleo, a inflação poderá ser motivo de preocupação. Em geral, os produtos importados tiveram uma alta de 1,6% em abril, principalmente face ao aumento dos preços do petróleo que subiram 15,4% neste mês.

Esta forte pressão nos preços do combustível pode também criar limitação na demanda em geral, pois como os aumentos se refletem direta e diariamente no bolso dos consumidores, há uma diminuição de seu poder de compra.

O aumento do preço do petróleo, aparentemente, vem mais da queda prevista na produção futura – em base a diminuição dos investimentos na prospecção e extração, que se prevê da ordem de 20% –, do que da demanda que, como vimos acima, segue em queda.

Este é um mal sinal, pois quando houver uma recuperação da economia, poderá haver uma explosão dos preços, que em nada será útil para o desejável crescimento sustentado. Mesmo que os produtos importados (fora o petróleo) tenham sofrido uma pequena queda de 0,4%, eles poderão não ajudar demais, tanto no controle da inflação, como no ânimo do consumidor.

Por outro lado, apesar dos trilhões injetados no sistema financeiro, o teste de estresse, aplicado aos 10 maiores bancos do país, indica que ainda precisam de novas injeções de capital, que podem chegar a US$ 80 bilhões. Este dado tira a ilusão criada após alguns bancos anunciarem resultados do primeiro semestre, com lucros simpáticos para o mercado, que esta parte do problema estaria resolvida.

Enquanto não houver aumento no consumo nos EUA, o mundo em geral, e em particular a Ásia, terão dificuldade em retomar o ritmo de crescimento necessário para ajudar a por fim a crise global. O aumento em abril dos preços de 0,5% de produtos exportados pelos EUA não são um sinal de que a demanda global voltou a crescer. Na verdade este aumento vem sobre uma queda de 6,8% no último ano.

Nos EUA, como aí no Brasil, a liderança do presidente traz uma dose de otimismo ao povo em geral e as empresas em particular. Mas aqui a alquimia presidencial tem menos efeito ilusionista do que aí, apesar de termos um presidente honesto, sério, trabalhador e ético.

Infelizmente, alguma neve ainda vai derreter-se nos polos antes de o verão voltar a esquentar a economia americana.

Carlo Barbieri é gestor do São Paulo Business Center, presidente do Brazilien Business Buerau e presidente da Oxford Group.

barbieri@casite-724183.cloudaccess.net
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