Publicado no “Comex do Brasil”

Em 17/05/2017 por Carlo Barbieri

 

As paixões e a imprensa comprometidas têm dificultado o entendimento do porquê do magnata Trump ter chegado à presidência dos EUA e visualizar o que ele pretende fazer em seu governo e particularmente o que não conseguirá fazer.

Primeiramente temos que levar em conta que Trump não foi eleito com o apoio dos democratas e muito menos ele representa o ideal republicano que domina o partido.

Aliás, nunca um candidato “republicano” teve uma oposição tão forte em seu partido como o Trump.

O que ele representa, na verdade, ou pelo menos assim se colocou na campanha (e está levando a sério suas promessas no governo) é um clamor contido no povo americano, após décadas de acocoramento a teorias e ações, que arrepiam ao espírito América.

O povo americano estava cansado do “politicamente correto”, em que se protegia os menos capazes, os que não gostavam de trabalhar, os que não estudavam, os que queriam sempre ser “protegidos” para não ter que fazer a sua parte e dar sua contribuição à sociedade.

O povo americano (que trabalhava) estava cansado de sustentar com seus empregos e salários os cidadãos de outros países, que seguiam odiando os americanos e tratavam apenas de se aproveitar de seu (até irracional) consumo.

O povo americano estava cansado de ver suas riquezas serem “internacionalizadas”, enquanto a pobreza seguia crescendo no seu país.

O povo americano estava cansado de ser–lhes impostas regras de conduta que colidiam com sua formação cultural e espiritual.

O povo americano estava cansado de ver sua dívida pública aumentar, estratosfericamente (dobrou no último governo) e sua infraestrutura estar sucateada a níveis do terceiro mundo.

O povo americano estava cansado de ver que seus filhos estavam cada vez em pior qualificação no ensino, em relação a outros países, sem poderem reagir contra o sindicato dominado do ensino, que não queria que os professores fossem avaliados, sequer, e forçados a se atualizarem.

O povo americano estava cansado de pagar cada vez mais impostos, para ter cada vez menos retorno, pois a arrecadação nunca cobria os aumentos dos gastos com a burocracia e o sustento do “politicamente correto”.

O povo americano estava cansado de esperar soluções de “ Washington” e não ver nada mudar pois a capital e seus lobbies estavam tratando mais de seus interesses do que do interesse da população.

Enfim, havia um desejo de mudança irreprimível. Alguém que se propusesse a trazer estas mudanças tinha o apoio da população, certamente, a despeito da mais massacrante campanha já desfechada contra um candidato.

Isto não quer dizer que o candidato Trump estivesse preparado para enfrentar os desafios que se propunha a enfrenta.

Trump não é um animal político, não sabe ouvir, não sabe contemporizar, não saber compor alianças, não sabe conter a sua língua.

Acostumado a “mandar” e ser obedecido, ser a última palavra, tentou fazer na presidência o que lhe parecia melhor, na forma que desejava.

Não tinha, e não sei se tem, conselheiros que lhe digam a verdade e lhe digam não.

Blefa e radicaliza para chegar aonde precisa. E, na área internacional até que está dando certo!

Se vai conseguir a reforma do Obamacare, a diminuição dos impostos, os cortes nos gastos, a desburocratização da administração pública, a melhoria do ensino, o aumento das dotações para a defesa, a limitação da “invasão” dos indocumentados e a pretendida e desejada regularização dos mesmos, não sabemos, nem sequer, se chega ao final do primeiro mandato.

Mas os resultados econômicos já começam a aparecer. Vamos ver.

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