Brasileiros em Fuga

Barbieri e-mail marketingPublicado na revista MercadoComum

Fevereiro/Março de 2014

por Carlo Barbieri

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O ano de 2013 marcou uma completa reversão de expectativas no movimento de capital entre os EUA e Brasil. Há alguns anos atrás, o sentido era marcadamente Norte-Sul. Centenas de empresas buscavam encontrar uma forma de vender, investir, participar do progresso brasileiro. A expectativa da Copa, Olimpíadas, o sonho do petróleo propiciou bilhões de dólares às reservas brasileiras. Milhões de empregos à nossa população. E o governo brasileiro chegou a criar travas aos investimentos externos! Em pouco tempo, porém, o quadro mudou, drasticamente.

Nossa empresa, sediada na Flórida, aqui nos Estados Unidos, que recebia majoritariamente empresários americanos querendo ir para o Brasil, começou a receber novamente empresários brasileiros querendo “por um pé” nos EUA, diziam timidamente. Gradualmente, já falavam em “dois pés”. Buscavam diversificar para ter segurança. Já claramente diziam que estavam inseguros com relação ao futuro de seu país.

Queriam comprar casas, carros. Trazer a família para cá. E seguir no Brasil, ainda para ver o que dava. Estavam ganhando muito dinheiro ainda no Brasil. Pedidos de visto de investimento do tipo EB-5 (que exige investimentos no valor de US$ 500 mil) que recebíamos antes não passavam de um por semestre. Agora, pasmem, em média oito brasileiros estão dispostos por mês (apenas no caso das nossas empresas que prestam esse tipo de serviço), a deixar aqui meio milhão de dólares investidos por 5 anos só para terem seu Green Card.

Não são mais apenas empresários de grande porte. São profissionais liberais, aposentados, pequenos empresários. Não estão na “corrida do ouro”. Estão na corrida para garantirem sua segurança, seu futuro e de seus filhos, de suas famílias. Enfim, são na verdade pessoas em fuga. São pessoas quase no desespero que querem fugir da insegurança pública, dos assaltos, não apenas dos bandidos que são estimulados pela impuridade, mas dois assaltos do governo contra os meios produtivos.

Recentemente relatou-me um empresário do Pará, que o mês de dezembro foi o mais fraco Natal dos últimos anos e as lojas dos shopping centers foram tomadas de assalto não pelos marginais, que são estimulados pelo Palácio do Planalto a fazerem seus “rolezinhos”, mas pelo poder governamental que entrava em forma de “arrastão” nas lojas, confiscando as máquinas de pagamento em cartões, em base a uma legislação ultrapassada de 2001, quando ainda os cartões não reportavam o seu uso à receita. Os lojistas tinham que parar de trabalhar ou o fazerem com as poucas máquinas que conseguiram “salvar” e as mantiveram escondidas para efetuar suas vendas. O Brasil arrecada muito arrecada mal, gasta muito e gasta mal.

Há vários anos, os empresários vinham sendo assediados por investidores institucionais e estrangeiros para venderem seus negócios. Hoje já quase não tem ofertas. Ninguém em sã consciência quer mais investir no Brasil. As reservas estão sendo sangradas para cobrir os déficits no balanço de pagamentos, pois não temos mais os superávits de antes nos investimentos.

O Brasil está lutando para não ser rebaixado nos organismos de crédito, o que em acontecendo, vai aumentar ainda mais o nosso custo de captação. Um banco público brasileiro está pagando 9,1% ao ano em seus títulos. Como diria o inimputável ex-presidente: nunca antes neste país se havia chegado a este ponto. Os empresários de sucesso no Brasil sabem que têm que “raspar o tacho” enquanto é tempo. Com isso, o país está perdendo inteligências, capital, empreendedorismo, competência.

Se 2013 marcou a virada dos investimentos, 2014 já surge com esta tendência consolidada. Redes de restaurantes, fábricas, redes de loja, empresas de desenvolvimento tecnológico, estão vindo, principalmente para Flórida, para aqui colocar a base de seus negócios. A corrente imigratória não é mais de pessoas obres, entrando de forma irregular buscando o seu sustento e um melhor padrão de vida. Temos um novo surto imigratório de pessoas de grande conhecimento e capital. Empreendedores que vêm para os EUA trazendo na bagagem a geração de empresas que poderiam fomentar no Brasil.

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