Economia e nosso dia a dia

BarbieriPublicado na revista Manchete USA

Ano 1 / Edição 1

por Carlo Barbieri

 

Num mundo globalizado, com uma comunicação em tempo real o acompanhamento e entendimento da economia se tornou vital para as nossas decisões diárias sejam a nível pessoal sejam para nossas empresas, por menores que sejam.

Esta coluna tratará de, sem entrar no “economês” , trazer a consideração dos leitores temas do dia a dia da economia, que sejam relevantes para a vida de nossa comunidade em termos de compreensão do que está acontecendo e o que pode mudar em função desta realidade.

Temas como, por exemplo: porque a economia está patinando, mas o mercado imobiliário está aquecido?

As exportações da Flórida estão crescendo e como posso participar desta oportunidade? Será a constante desta coluna.

Comecemos pelo tema desta edição:

 

Emprego e mercado imobiliário

O mercado imobiliário nos EUA em geral e particularmente no Sul da Flórida tem se recuperado e até mesmo aquecido.

No auge da crise, tínhamos um “estoque” de imóveis a venda, equivalente a sete anos e meio de venda possível, o que, levou, independentemente do fator financeiro, ao chamado estouro da “bolha”, pois já não havia colocação para os novos lançamentos, seja em termos de compradores finais ou locadores.

Com o “estouro” houve uma derrocada nos valores que despencaram de até cinco vezes o valor de construção para, muitas vezes, menos da metade de quanto custaria para fazer um novo.

Com isto, paralisaram-se às novas construções e até mesmo as reformas perderam força, pois como o valor dos imóveis estava supervalorizado, os proprietários entenderam ser melhor parar de pagar os financiamentos e ir vivendo na casa enquanto desse com custo zero.

Com os preços baixos dos imóveis, investidores institucionais daqui e de outros países assim como os pequenos poupadores passaram a se interessar pela compra dos mesmos.

Este movimento ganhou força quando da retomada dos imóveis pelos bancos. Estes cidadãos passaram a necessitar de buscar onde viver e tiveram que alugar desesperadamente suas residências, fazendo com que o retorno do investimento feito ficasse extraordinariamente alto, atingindo muitas vezes cifras acima de 20% ao ano.

Com isto, os imóveis, agora muito procurados, foram escasseando e se valorizando, superando o valor original de construção.

O mercado de Miami e Aventura, etc., não sofreram de forma significativa com a crise, porque os brasileiros, entre outros, viam a oportunidade de compra, não balizados pela realidade do mercado americano, mas pelos exorbitantes custos em seu país de origem.

Com isto os preços caíram pouco e logo voltaram a crescer extraordinariamente. Hoje em Miami o “estoque” de imóveis é de apenas 4,5 meses!

A consequência foi de um aumento nas reformas, pois os novos proprietários numa primeira fase e numa segunda os proprietários remanecentes, passaram a investir em seus imóveis.

Por outro lado, novas construções surgiram numa forte onda vinda do Sul para o centro da Flórida.

A consequência foi uma demanda muito maior de mão de obra, nesta área, que tinha perdido parte de sua força de trabalho, pois muito imigrantes, seja pela falta de emprego, seja pela dificuldade com seus documentos havia retornado ao seu país de origem.

Com os bancos se livrando de seus “ossos” seja vendendo no mercado ou passando para as empresas públicas, passaram a reabrir, ainda de forma cautelosa, suas carteiras de empréstimos.

A amplitude deste aumento de oportunidade de trabalho estendeu-se por outros segmentos do setor, como realtors e mortgage brokers.

Este florescimento, pelo menos por algum tempo será perene e se fortalecerá, mesmo que em outros segmentos da economia o emprego ainda seja fraco e os EUA ainda não tenham encontrado seu caminho para o progresso.

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