Flórida possui quase 2 milhões de portes de armas, mas me sinto bem seguro aqui…

Publicado na revista VEJA

por Rodrigo Constantino (colunista)

 

Meu amigo Bene Barbosa, do Movimento Viva Brasil, perguntou se me sinto seguro aqui em Miami. É que a Flórida possui 1,7 milhão de portes de armas! É arma até dizer chega. No entanto, o Estado tem sido reconhecido como um dos mais seguros do país. Os casos de homicídio são declinantes:

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Os dados vão até 2006. O artigo do professor Bene foi escrito em 2010. Não sei como a situação mudou, se mudou, desde então. Mas arrisco dizer que deve ter até melhorado. Eis o que ele diz:

Desde 1987, qualquer cidadão americano residente na Flórida, sem antecedentes criminais ou histórico de doença mental possui o direito ao porte de armas de qualquer calibre. 

Entre 1 de outubro de 1987 e 31 de janeiro de 2010, Flórida emitiu licenças para 1.704.624 pessoas. Destas apenas 167 tiveram sua autorização revogada – cerca de 0,01 por cento. Nos últimos 14 meses apenas mais uma licença foi revogada por, uma taxa entre titulares de autorização ativas de 0,00014 por cento. Sendo ainda que a maioria foi por questões como embriaguez ou porte da arma em locais onde isso é proibido como estádios e casas noturnas.

Qualquer um anda com sua BMW, Mercedes, Porsche, Corvette ou mesmo Ferrari e Lamborghini conversível por aqui, na maior tranquilidade. Ao parar no sinal de trânsito, ninguém fica tenso, olhando em volta. As pessoas usam Rolex na boa, ignorando o alerta de Sakamoto, de que é o Rolex que causa o crime. Há belíssimas casas, todas com jardim na frente, sem nenhum tipo de muro.

Mas há quem pense que a existência das armas é a responsável pelos crimes! Lutam pelo desarmamento civil, como se armas matassem, e não pessoas. Como se a impunidade não fosse o maior convite ao crime. Como se o conhecimento pelo bandido de que o proprietário da casa ou do carro pode estar armado não fosse um alerta importante, um desincentivo ao crime.

Ontem fui jantar em um restaurante japonês famoso aqui de Miami Beach. Na mesa ao lado, um sujeito com pinta de esportista ou artista famoso chegou com um grupo de puxa-sacos, e trazia na coleira seu pitbull. Dentro do restaurante! Vai ver ele estivesse morrendo de medo da insegurança na Flórida, por ter tanto porte de arma emitido. Ou vai ver que ele era apenas um tipo excêntrico que gosta de chamar a atenção dos demais.

Faça sua escolha. Mas, algo me diz que não havia clima para insegurança no local. E a probabilidade de algum cliente ali ter uma arma legal era infinitamente maior do que no Rio de Janeiro, minha cidade maravilhosa que combate o armamento de civis, mas não combate com o mesmo afinco a criminalidade…

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