A gestão atual de empresas, mesmo que não se descarte a base da gestão científica de Taylor, como o fundamento de quase tudo, tem características novas que devem ser destacadas.

A grande questão que deve ficar clara para nos é que, quando foi criada a administração científica, ela se baseava nas grandes empresas e basicamente nas empresas industriais.

Hoje, em um país como os EUA, apenas 21,9% do PIB (Produto Interno Bruto) vem da indústria, contra 76,9% da área de serviços. Mesmo no Brasil, a indústria representa 28,5% apenas do PIB.

Destacamos estes pontos para enfatizar que muitas novas formas devem ser buscadas para termos uma gestão eficiente.
Mesmo na área de serviços, a tecnologia tem mudado os conceitos e os requisitos de sucesso. Vejamos o exemplo do correio americano, considerado um paradigma para o mundo, e que esta à beira da falência, pois perdeu 18% de seu volume de correspondência nos últimos 10 anos e precisa demitir pelo menos 120.000 funcionários, ou seja 20% dos 574.000 que emprega, mesmo já tendo, nos últimos 10 anos dispensado cerca de 26% dos que lá trabalhavam no início dos anos 2000.

E onde está o problema? Tudo mudou nas comunicações. Não há mais tantos catálogos como antes, as contas são pagas “on line”, quase não existem mais cartas.

O histórico USPS não inovou, nem se diversificou, com poucas exceções como o serviço de passaporte. No Brasil, as agências de correio fazem de tudo, de agência bancária à entrega de correspondência. Na Suíça, até eletrodomésticos são vendidos nas agências.

Ora, se tudo muda e seguirá mudando, na velocidade da luz, temos toda a necessidade de mudar nossa forma de comportamento gerencial.

Um primeiro destaque é com relação aos conflitos dentro da empresa.

Na gestão antiga, o conflito não era sequer aceitável. Como se dizia : “manda quem pode, obedece quem tem juízo”.
Hoje o conflito não é apenas aceito, como até mesmo desejável.

Nas empresas, as características de cada funcionário têm que ser conhecidas e utilizadas a favor do resultado final. Quase todas as empresas já têm feito testes, como o “Arno Profile System”, para conhecer o temperamento de seus colaboradores e, conhecendo-o, tirar o melhor da inteligência emocional de cada um.

José Ruy Alvarez classifica os funcionários em comprometidos, inconformados e indiferentes. Claro que para os últimos vale a máxima de nossos avós: “a porta da rua é serventia da casa”, mas as visões diferentes dentre os inconformados e comprometidos não quer dizer que ambos não estão certos, individualmente, em suas visões. Daí a necessidade de termos na empresa uma forma institucionalizada de resolução do conflito, pois caso contrário, o próprio Alvarez indica os maiores riscos:

• Sabotagem – aberta ou mascarada;
• Deslealdade com a organização, chefes e colegas;
• Autopreservação – não aceitação de responsabilidades – omissão ou anonimato;
• Acomodação – renúncia altruísta em nome do interesse comum;
• Alienação – Desligamento, busca de outros interesses fora do trabalho, um indivíduo presente em corpo, porém, de “espírito ausente”;
• Segregação – A pessoa “deixa disso” que evita contato direto;
• Polarização Melodramática – Aquele que acha que tudo é culpa dos outros e ele está sempre certo.

Esta parte da gestão nem sequer foi considerada por Taylor. Um segundo destaque, é a necessidade de por fim ao sistema de hierarquia baseada no poder.

A gestão eficiente só será obtida com real liderança. Os sanguíneos, que eram antigamente os grandes comandantes das empresas e, em particular da indústria, só conseguem, em geral, exercer o mando se tiverem um “ chicote” de poder (seja de demissão, seja de salários) para que sejam “respeitados”.

Porém, como se pode nos dias de hoje, ter um “chefe” gritando e ameaçando ao invés de um líder capaz de conseguir o melhor desempenho de cada um, particularmente na área de serviço?

Um último ponto, é a necessidade de compartilhar.

Embora seja de extrema facilidade de entender, destacaria neste limitado espaço, este itém que é de difícil implementação.

Em uma gestão moderna tem se que compartilhar com os colaboradores, tanto a responsabilidade, como os resultados. Não se pode ter sucesso sem que todos contribuam com tudo que podem dar e também tenham seu quinhão do resultado obtido, como diziam nossos avós: com o ônus, vem o bônus.

Carlo Barbieri
Advogado & Economista
Presidente da Oxford Group
Barbieri@casite-724183.cloudaccess.net

Publicado no Jornal Gazeta News
http://gazetanews.com/colunas/gestao-cientifica-e-gestao-atual-negocios-e-empresas/

ÚLTIMOS ARTIGOS

Lar Maria Sininha

Estes frutos valem os esforços das primeiras sementes. Fazer a diferença na vida destas crianças e adolescentes, e saber que este trabalho proporcionou mudança aos atendidos para uma vida com(...)

face linkedin twitter whatsapp

Palestra do Grupo Oxford em Tocantins

Palestra do Grupo Oxford em Tocantins, sobre Internacionalização de Empresas, foi considerado o evento mais importante do Estado nos últimos tempos. Todos os lugares ocupados na palestra, empresários de(...)

face linkedin twitter whatsapp

Clipping – Palmas

face linkedin twitter whatsapp
ArabicChinese (Simplified)Chinese (Traditional)EnglishFrenchGermanItalianPortugueseRussianSpanish