De: Carlo Barbieri 

Junho de 2009

As interpretações extremamente otimistas quanto ao momento econômico vivido nos EUA, assim como a euforia que tem marcado o aumento significativo do preço do petróleo, lembram um pouco a história do bode na antiga União Soviética.

Seria ingenuidade não reconhecer que há indicadores positivos, como o aumento da confiança do consumidor, que subiu a 69 pontos. Mas este número está ainda abaixo do de setembro do ano passado. Daí a achar, porém, que a crise acabou porque o aumento dos pedidos de ajuda desemprego foi de “apenas” 601.000, parece mais o surrealismo do ministro lácteo do Brasil, em suas previsões e afirmações tão mentirosas como irresponsáveis.

Acontece que aí ninguém cobra as asneiras e impropriedades que ele faz e fala, pois tem o controle total da mídia, mas aqui a coisa é mais séria. Devemos tangenciar 10% de taxa de desemprego ainda antes de a recuperação começar a ganhar musculatura. Para haver um real reaquecimento da economia, desejável e necessário, precisa haver um real aumento do consumo.

E, aí está a questão. O americano ficou U$ 1,3 trilhão de dólares mais pobre no primeiro trimestre deste ano, ou seja, 5,8% mais pobres que no final do ano passado (no trimestre anterior, o último de 2008, seu patrimônio já tinha perdido 8,5%). Isto é cerca de 10% do PIB americano, que os americanos perderam de patrimônio apenas nestes três primeiros meses do ano!

Suas casas seguiram caindo de valor, 2,4% neste trimestre, e a suas ações valeram no final do trimestre 5,8% a menos que em 31 de dezembro. O pior de tudo é que não tem crédito para voltar nem ao consumo de supérfluos, quanto mais a bens duráveis ou imóveis. De janeiro a março deste ano os compromissos financeiros dos consumidores somaram U$ 14,1 trilhões, ou seja, foram 0,8% menores do que no final do ano passado.

Os trilhões injetados no sistema financeiro foram consumidos no ralo da inadimplência e não existe sobra para financiar o consumo, ou mesmo disposição para assumir riscos. Por esta razão as vendas no varejo, mesmo com o aumento da confiança dos consumidores cresceram apenas 0,5% no mês de maio. O setor de cartões de crédito, ainda nem chegou a saber qual o tamanho de seu buraco. Estão, desesperadamente, buscado diminuir seu risco, cortando linhas já existentes para seus próprios clientes.

O Amex, apesar da força anterior, está pagando para clientes fecharem a conta, está cortando crédito mesmo de seus fiéis clientes por décadas. Uns diriam que está dando um tiro no pé, mas sua administração explica que é melhor ficar sem o pé a se arriscar que a gangrena dos pés o force a cortar a perna ou algo mais.

O setor de construção civil ainda está parado e o que se tem de novo são obras públicas do “PAC” do Obama, que setoriza obras e lugares, alem de beneficiar certo “tipo”de empresas. O que, de qualquer forma ajudará na abertura de novos empregos.

Há alguns sinais mais positivos; as vendas de combustíveis aumentaram 3,6% e a de venda de material de construção, 1,3%.

Porém, em maio, foram ceifados mais 345.000 empregos, o que não é nada bom. O presidente Obama, com muita habilidade, tem fartado a opinião pública com sucessos em sua bem conduzida política externa, e com promessas de iniciar reformas necessárias e desejáveis na previdência social.

Adicionalmente, tem falado a verdade e assumido posições de risco, para não se desacreditar seja por promessas não cumpridas, seja por inação.

Mas, ainda estamos tirando o bode da sala!

Source: Banco Hoje

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