O desafio da Coreia do Norte

Artigo Publicado na Comex do Brasil

06/07/2017 por Carlo Barbieri

O míssil de longo alcance, capaz de atingir o território americano, que a Coreia do Norte lançou bem no dia 4 de Julho, dia nacional americano, ensejou uma série de questionamentos por parte da opinião pública americana, seus líderes políticos e da imprensa do país.

As mais importantes constatações foram:

  • As ameaças e avisos do Presidente Trump, não modificaram, em nada, as decisões da Coreia do Norte. Aparentemente pensam tratar de puro “blefe” de Trump;
  • A China, cujo presidente se comprometeu, quando visitou os EUA, a “pressionar” a Coreia do Norte, na verdade, segue apoiando o regime norte-coreano e aumentou seu comercio com o país em 40% este ano.
  • A imprensa trata de manter-se a distância de se posicionar sobre o caso, pois viu seu nível de confiabilidade cair ultimamente (Vejam que as enquetes indicam que 37% da população crê na Casa Branca , contra 30% que acreditam na imprensa e 29% apenas acreditam no Congresso). Considere-se que 93% da mídia americana declaradamente é contra, ou radicalmente contra o presidente.
  • Atentemos que dos 10 maiores jornais que a população vê, 8 são da rede Fox (única que apoia a linha conservadora de Trump), o que mostra que todos outros veículos estão perdendo a batalha para imporem seu ponto de vista “anti-Trump “ à população.
  • Apesar desta realidade, Trump não é um animal político e não consegue controlar-se. Realmente, mesmo seus seguidores o acham instável e despreparado.
  • Uma grande maioria não crê numa solução pacífica, sem apoio da China, mas não vê este apoio se materializar. Sabe que a China não quer a destruição da Coreia do Norte pois ela é seu escudo contra ter um aliado americano na sua fronteira.
  • Os especialistas afirmam que não há solução intermediária. Com mais de 35.000 soldados dos EUA estacionados na Coreia do Sul e a “insanidade” do ditador Kim Jong-Un da Coreia do Norte, ou há um acordo de desmilitarização ou terá que ser tomada uma medida extremamente radical, que não dê chance de reação so mimado presidente da Coreia do Norte. O que é totalmente impossível de prever-se o resultado.
  • No caso da ação contra a Coreia do Norte se crê que a China ocuparia este país, não abrindo espaço para a reunificação das Coreias.
  • O Pentágono está estimando os riscos da ação. Mas, não estamos mais no tempo de Obama em que ele informava antes o que iria fazer, de alguma forma ajudando a preparação do adversário e muitas vezes justificando a “não ação“.
  • Num primeiro momento haverá um apoio geral à ação, mas, com as fatalidades, o apoio da população tenderia decair e até causar uma ação para derrubar o presidente.

O Pentágono não vê solução pacífica. Algo vai acontecer, mas não se sabe o que nem quando!

 

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