Visão externa do novo quadro político brasileiro

 

Artigo publicado no Comex do Brasil

31/10/2016 por  Carlo Barbieri 

 

 

No artigo anterior destacamos as preocupações e alegrias com as eleições do primeiro turno.

De todos os comentários recebidos, um se destacou pelas críticas e devo dizer muito objetivas, que tratarei de considerar neste texto, levando em conta de que não estou analisando o tema eleitoral do ponto de vista político, mas sim, da influência política na ação dos agentes econômicos externos.

Reconheço que me faltou referência no artigo anterior às reservas externas brasileiras, que chegaram a quase US$ 380 bilhões ao final do governo petista, o que, em muito ajudou a manter um mínimo de confiança na capacidade de o Brasil pagar suas dívidas. Mas não podemos deixar de lembrar que, em grande parte, isto se deveu ao aumento da dívida interna que poderá chegar a R$ 3,3 trilhões no final deste ano.

Tanto na economia, quanto na política, muitas vezes a percepção é mais importante do que os fatos.

Infelizmente geramos uma percepção negativa no segundo mandato do Presidente Lula e nos mandato e meio da Dilma.

Pelos programas de TV e rádio que temos participado, o Brasil tem sim enorme importância para o Estado da Flórida, mais do que para outros estados americanos.

O Brasil é o maior parceiro comercial da Florida. Os turistas brasileiros geram mais de 300.000 empregos no Estado. Há grandes empresas brasileiras aqui, como Embraer, Banco do Brasil, Votorantim para mencionar algumas e mais de 30.000 pequenas e médias.

Isto tudo faz com que sejamos foco de análise.

Uma mensagem que tem sido passada é de que, mais do que afundar o Brasil, o PT destruiu a esquerda no Brasil. O que é um mal. A esquerda é necessária e útil em qualquer país. Hoje o PT transformou-se em estigma de corrupção e levou consigo o simbolismo e idealismo da esquerda.

O PSDB, que nunca esteve na direita, hoje se transformou em opção das elites econômicas e, com isso, granjeou mais de 9 milhões de votos no primeiro turno e mais de 4 milhões no segundo turno. Enquanto o PMDB, mais ao centro, teve pouco mais de 9 milhões no primeiro turno e cerca de 2,2 milhões no segundo.

Em contrapartida, o PT teve 5,7 milhões no primeiro turno e pouco mais de 800.000 no segundo. O PSOL, que poderá herdar os eleitores do PT teve o dobro de votos no segundo turno, do que o PT.

Isto nos dá a impressão, aqui de longe, que os partidos mais conservadores por um lado ganharam espaço na nova configuração política, com o PSDB governando quase 49 milhões de habitantes e o PMDB cerca de 29 milhões, enquanto que o PT, antes quase hegemônico, estará governando apenas cerca de 6 milhões de habitantes.

A base do atual governo governa mais de 80% do país, o que dá ao mesmo tempo esperança de que as reformas necessárias têm como serem feitas e a responsabilidade de fazê-las, mas, com tudo que aconteceu ultimamente e com o “risco Lava-Jato”, a posição está mais para Tomé do que para Poliana.

Os investidores de risco, analisam apenas a chance de ganho a curto prazo, mas, os institucionais e os de médio valor, ainda estarão esperando os resultados da Lava-Jato e da efetivação das reformas da previdência, política e fiscal.

Há uma esperança positiva com relação ao futuro e uma certa convicção de que teremos ainda turbulências até o caminho ser aplainado.

(*) Carlo Barbieri é formado em Economia e em Direito, com cursos de extensão e especialização na Sorbonne, Harvard, MIT, FGV, Universidade de Brasília, entre outras, é CEO do Grupo Oxford (composto por empresas internacionais de consultoria e trading), Presidente do Brazil Club, membro do conselho da Deerfield Chamber of Commerce, Embaixador da Barry University no Brasil, membro do Conselho de Cidadãos, órgão de aconselhamento ao Consulado Geral do Brasil em Miami.

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