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Carlo Barbieri

Para debater a recente questão entre os EUA e Irã é importante começar avaliando o passado político e diplomático que envolve os dois países ao longo da história. EUA, outras potências e Irã, assinaram, ainda durante o Governo Obama, um acordo para impedir o país do oriente médio desenvolvesse programa nuclear contra Israel — uma meta pública do Governo iraniano.

Esse acordo não previu nenhuma cláusula de restrição ao Irã, no que diz respeito à expansão do regime Xiita para outros países, em particular para aquela área do Oriente Médio, em que o Irã tem interesse em expandir a sua atuação. Esse fato acabou levando o presidente Donald Trump a adotar várias medidas tentando fazer o Irã limitar a sua atuação fora do seu território. Porém, não era a intenção do Irã fazer isso.

Com o decorrer do tempo, os EUA viram que os bilhões de dólares investidos e as facilidades econômicas concedidas ao Irã durante a gestão Obama estavam sendo menos utilizados para benefício da população iraniana e mais para preparação de armamentos capazes de transformar o país em uma potência militar. Esta medida conferiria ao Irã o poder de influenciar, através de uma agenda revolucionária, ações no Líbano, na Síria, no Iraque e em outros países da região.

Enxergando além da aparência diplomática, o governo americano deixou o acordo e iniciou pressões econômicas mais fortes contra o Irã, que perdeu fôlego na sua própria sobrevivência econômica. Essa medida impôs ao Irã a opção de sentar à mesa para negociar novos termos ou para limitação do seu próprio expansionismo político na região ou, contrariamente aos EUA, frear o expansionismo Iraniano.

O general Qassim Suleimani, considerado a segunda pessoa mais forte do país, entendeu que o mais adequado para o Irã seria criar uma série de ações belicosas, por parte do Irã, para através delas buscar um acordo com os EUA que fosse mais favorável ao Irã. E como disse o próprio presidente americano Donald Trump, o Irã nunca ganhou uma guerra, mas sempre venceu todas as batalhas diplomáticas e sempre fez os melhores acordos.

O que aconteceu com isso é que ele passou a iniciar uma série de ações que viessem de alguma forma a forçar os EUA a essa posição. Então foram iniciados uma série de atentados contra navios americanos e outros navios na região. A derrubada de um drone americano fora da área do Irã. E entre outras ações, a preparação para ser feita uma nova Benghazi no Iraque.

Acompanhamos na imprensa a invasão dos seguidores do general Solimani na área verde onde está a embaixada americana. Buscando verificar um mínimo de resistência para lá criar um novo Benghazi. Esse era um plano que todos sabiam. E sendo feito isso eles tomariam a embaixada americana e os reféns americanos. E tentariam forçar, dessa maneira, os EUA que negociassem a libertação dos seus cidadãos e dos reféns por conta de uma política menos severa com o Irã, particularmente nas restrições econômicas.

Ao notar esse plano, logicamente conhecido e amplamente divulgado, o Presidente americano Donald Trump entendeu que esta negociação, próxima e futura, deveria ser feita com reféns já obtidos pelo Irã e que o país deveria ser paralisado através de uma ação enérgica de liquidação e morte desse general.

Esse olhar histórico é fundamental para entendermos que isso é uma guerra política muito mais travada no campo da inteligência do que propriamente na configuração de ações armadas. Ações armadas apenas conduzidas para pressionar por um acordo.

Feita a intervenção americana, em minha opinião, até bastante cirúrgica, apenas com a morte do general, sem danos colaterais, o efeito foi o levante, primeiramente, dos seguidores do general no próprio Irã e em seguida a busca forçada por apoio da Europa na condenação do atentado americano. Logicamente que o que está em jogo não é exatamente a morte do general, mas sim toda uma política, uma geopolítica de dominação do Oriente Médio.

Nesse jogo de inteligências, a Europa acabou entendendo que se ela seguisse numa linha de condenação Americana deporia contra si, tendo ao final, que aceitar o aumento do preço do petróleo e as consequências do fortalecimento econômico do Irã. Uma atitude, tomada muito rapidamente em termos políticos, que obrigou o Irã a moderar suas reações.

É primordial ressaltar a política de negociação leonina que Donald Trump adota, desde que iniciou a gestão. Sendo este, o ano da corrida à reeleição, contar com o apoio popular massivo, não obstante às tentativas democratas de encontrar irresponsabilidade no ato do Presidente, o próprio partido Democrata não cogitou a situação como antiamericana particularmente.

*Carlo Barbieri, analista político e economista, é presidente do Grupo Oxford

 


US-Iran Crisis: Outline of an Intelligence War by Carlo Barbieri

In order to discuss the recent issue between the US and Iran, it is important to start by assessing the political and diplomatic past that has involved both countries throughout history.

The United States, other powers and Iran signed during the Obama administration an agreement to prevent the Middle East from developing a nuclear program against Israel – a public goal of the Iranian government.

This agreement did not provide for any restriction clause on Iran regarding the expansion of the Shiite regime to other countries, particularly in that area of ​​the Middle East, where Iran has an interest in expanding its operations.

This eventually led President Donald Trump take several measures to try to make Iran limit its operations outside its territory. However, it was not Iran’s intention to do so.

Over time, the US saw that the billions of dollars invested and the economic facilities granted to Iran during the Obama administration were being used less for the benefit of the Iranian population and more for the preparation of weapons capable of turning the country into a military power.

This would give Iran the power to influence, through a revolutionary agenda, actions in Lebanon, Syria, Iraq and other countries in the region.

Seeing beyond diplomatic appearance, the US government dropped the deal and started stronger economic pressures against Iran, which lost its breath in its own economic survival.

This has imposed on Iran the option of sitting at the table to negotiate new terms or to limit its own political expansionism in the region or, unlike the US, to curb Iranian expansionism.

General Qassim Suleimani, considered to be the second strongest person in the country, understood that the most appropriate for Iran would be to set up a series of bellicose actions by Iran to seek an agreement with the US that would be more favorable to them.

And as US President Donald Trump himself said, Iran has never won a war, but it has always won all diplomatic battles and always made the best deals.

What happened to this is that he started a series of actions that would somehow force the US into this position. Then a series of attacks were launched against American ships and other ships in the region, the overthrow of an American drone outside the Iran area and among other actions, the preparation for a new Benghazi in Iraq.

We followed in the press the invasion of General Solimani’s followers in the green area where the American embassy is located, seeking to check a minimum of resistance to create a new Benghazi there. That was a plan everyone knew; and if that was done they would take the American embassy and the American hostages, would try to force the US to negotiate the release of its citizens and hostages because of a less severe policy with Iran, particularly on economic constraints.

Noticing this logically known and widely publicized plan, US President Donald Trump understood that this event and forthcoming negotiation should be conducted with hostages already obtained by Iran and that the country should be paralyzed through a vigorous termination and death action of this general.

This historical look is paramount to understand that this is a political war much more conducted in the field of intelligence than in the configuration of armed actions. Armed actions are only conducted to press for agreement.

Having made the American intervention, in my opinion, even quite surgical, only with the death of the general, without collateral damage, the effect was first the uprising of the general’s followers in Iran itself and then the forced search for Europe’s support in condemnation of the American attack. Of course, what is at stake is not exactly the death of the general, but a whole politics, a geopolitics of Middle East domination.

In this game of intelligence, Europe eventually came to understand that if it pursued a line of American condemnation, it would stand against it, ultimately having to accept the rise in oil prices and the consequences of Iran’s economic strengthening political terms, which forced Iran to moderate its reactions.

It is crucial to highlight the Leonean negotiation policy that Donald Trump has adopted since he began management.

Even though this is the year of the race for reelection, with massive popular support despite Democratic attempts to find irresponsibility in the President’s act, the Democratic party itself did not consider the situation as anti-American in particular.

Carlo Barbieri, political analyst and economist, is president of the Oxford Group.

 

 

 

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