Publicado originalmente no jornal O Globo e Reproduzido nos veiculos abaixo

No momento em que a Organização Mundial do Comércio (OMC) estima que as trocas comerciais poderão cair mais de 30% neste ano, devido à desaceleração provocada pela pandemia da Covid-19, um levantamento do Ministério da Economia mostra que os mercados asiáticos estão salvando a balança comercial do Brasil.

Sem as encomendas da Ásia, o comércio exterior brasileiro teria acumulado um déficit, nos quatro primeiros meses do ano, de quase US$ 20 bilhões, em vez de um superávit de US$ 12,3 bilhões.

A razão desse desempenho é a venda de commodities. Em abril, foram quebrados recordes históricos mensais, em quantidade e em valor, de soja, farelo de soja, óleos combustíveis, alumínio, minério de cobre, carnes bovina e suína e algodão.

Matérias-primas. A participação dos produtos básicos na pauta de exportações atingiu 65,8% no mês passado, segundo a Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB). Já a parcela de manufaturados caiu para 22,7%, a mais baixa já registrada.

O mercado asiático representou quase metade (47,2%) das exportações brasileiras no período. Em relação aos quatro primeiros meses de 2019, as vendas para a Ásia subiram 15,5%. Só para a China, a alta foi de 11,3%.

Mas houve queda nas exportações para América do Norte (18,5%), América do Sul (21,2%), América Central e Caribe (57,1%), Oriente Médio (29,9%), Europa (3,5%) e África (1,5%).

Além disso, as exportações do Brasil para a Ásia, desconsideradas as duas maiores economias da região (China e Japão), foram maiores que as vendas para EUA e México juntos. E o total exportado para a China superou aquele vendido para União Europeia, EUA e Argentina juntos.

Para cada dólar exportado para a União Europeia, foram US$ 2 para a China. No caso de EUA e América do Sul, foram US$ 3.

Para Fábio Silveira, sócio-diretor da MacroSector, o agronegócio está salvando não apenas a balança comercial brasileira, mas a economia como um todo. Ele lembrou, porém, que são itens cotados em Bolsas internacionais, o que deixa o país produtor sem ter como controlar os preços, por exemplo.

“Se não fosse o agronegócio, nossa economia já teria evaporado” — disse Silveira.

O presidente da AEB, José Augusto de Castro, ressaltou que, no caso da soja, os produtores brasileiros anteciparam os embarques para a China e outros mercados asiáticos em fevereiro, março e abril. Por isso, ele espera uma piora no segundo semestre:

“A Ásia é a única região onde as economias estão se normalizando. O resto do mundo ainda luta com os impactos da pandemia”.

Carlo Barbieri, presidente da consultoria Grupo Oxford, o Brasil pode ser um dos grandes beneficiados quando acabar a pandemia, pois mantém boas relações tanto com a China como com os EUA.

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