Matéria originalmente publicada pelo Jornal Poder 360

 

ENGLISH VERSION BELOW

 

A expectativa quanto ao sucesso do governo de Jair Bolsonaro em aprovar a reforma da Previdência não se restringe ao mercado brasileiro. Segundo o economista Carlo Barbieri, 71 anos, presidente do grupo Oxford, que faz consultoria nos Estados Unidos, a reforma será “uma divisão de águas com relação à decisão de investir ou não”.

“Há uma renovação de esperança em relação ao Brasil. Claro que, agora, depende do governo conseguir provar que está no domínio da carruagem”, afirmou. Segundo Barbieri, além da reforma da Previdência, mudanças na tributação e uma agenda de privatizações devem atrair o capital internacional.

“Se vier dentro de uma pauta segura, não só os EUA, mas China, Índia e alguns países da Europa buscarão 1 país estável com capacidade de dar uma rentabilidade melhor. O Brasil tem que aproveitar essa oportunidade”, avalia.

Eis alguns trechos da entrevista:

Poder360: O quanto a discussão sobre a reforma da Previdência mexe com as expectativas do investidor norte-americano?
Carlo Barbieri: O Brasil sofreu 1 declínio de respeitabilidade ao longo dos últimos 8 anos. Especialmente no governo Dilma, os investidores estrangeiros passaram a ver o país com uma espécie de farol vermelho.
Agora, pelos Estados Unidos, a expectativa é que o Brasil se torne 1 grande parceiro. Prova disso é que os departamentos de Estado elencam como as línguas mais importantes o chinês, o árabe e o português. No momento, todo o esforço está em se preparar para uma reunião entre os 2 países que provavelmente acontecerá em abril para que sejam fechados acordos definitivos.

Além da reforma da Previdência, que outros movimentos chamam atenção para o novo governo?
Sem a reforma da Previdência e sem segurança institucional, não se lograrão muitas coisas. E a segurança institucional tem uma força muito grande porque o nosso Supremo tem dado demonstrações de instabilidade no processo decisório. Então, mesmo com a reforma da Previdência sendo aprovada, os atos do Supremo vão merecer uma atenção muito grande do investidor.

O episódio do leite em pó atrapalha as expectativas de abertura comercial?
Não tira a credibilidade de que haverá uma abertura comercial. Nos países do hemisfério Norte a proteção agrícola é 1 fator determinante. Agora, isso tem que se mostrar na prática. O que todo mundo espera –e alguns temem– é que os acordos bilaterais ganhem força.
O Brasil tinha várias amarras. Uma é do Mercosul, que impede que o Brasil faça vários acordos individualmente e de interesse dele. Aparentemente, pelo que se lê, há uma disposição do governo brasileiro de retirar essa limitação e negociar com as áreas de interesse. A 2ª amarra é mais ideológica. O Brasil tem dado preferência por negociações dentro do hemisfério Sul.
O setor industrial brasileiro se beneficiará especialmente em 2 aspectos: se for feito efetivamente 1 acordo comercial bilateral com os EUA e em função da própria guerra comercial entre EUA e China.

Quais são os riscos e oportunidades que o Brasil tem dentro dessa dinâmica da guerra comercial?
Na verdade, o risco é não aproveitar as oportunidades. Um país como os EUA, que tem 1 deficit da balança comercial de US$ 800 bilhões, deve preencher esse espaço dos produtos da China com os de outros países. O Brasil tem uma indústria muito preparada, capaz de ocupar parte desse espaço.
Mas temos uma lição de casa interna para fazer: a estrutura tanto da Apex quanto do Itamaraty nos últimos anos foi preparada para as negociações com países do hemisfério Sul de maneira mais ampla. O corpo técnico de comércio exterior dos 2 não está preparado ou é contra essa aproximação.
Mas o tempo corre contra nós, quanto mais cedo a gente fechar esses acordos e direcionar a política de comércio exterior para países desenvolvidos, mais teremos benefícios.

O governo, por meio do presidente e do chanceler, tem dado declarações que indicam esta aproximação. Qual medida prática referenda esse posicionamento?
Eu diria que há mais 1 elemento de discurso, mais uma manifestação de intenção. Da parte do governo americano, do governo aqui da Flórida onde o Brasil é o principal parceiro comercial, estão extremamente interessados.
Há uma disposição nesse sentido, mas como a seguinte ressalva: a decisão do chanceler e do presidente não encontra um reflexo na base de trabalho para fazer isso acontecer porque houve 16 anos de uma outra linha de pensamentos dentro dos órgãos responsáveis por isso. Então a lição de casa interna é muito maior do que as oportunidades e o que elas exigem em termos de tempo.

Enquanto isso, o que pode ser feito? O ministro da Economia já disse que o processo de abertura comercial só vai acontecer junto com a reforma tributária que, por sua vez, só será encaminhada depois da reforma da Previdência.
Acho que o setor privado tem que tomar a dianteira nesse processo. O ministro da Economia já fez uma declaração enfática dizendo o seguinte: Nós vamos salvar a indústria brasileira apesar dos industriais brasileiros.
A nossa leitura externa foi o seguinte: “Gastem menos dinheiro em lobby em favor de governo e mais dinheiro na sua capacidade produtiva de buscar novos mercados”. E eu espero que o setor empresarial reagisse rápida e positivamente para isso.

Qual foi a impressão que tanto o presidente quanto o ministro causaram em Davos a despeito de não terem conversado tanto com a imprensa?
A impressão que se teve aqui fora foi a melhor possível. Houve uma manifestação clara de intenção, certo? Ninguém esperava que o plano de reforma seja tributária, seja da Previdência, fossem detalhadas. Primeiro porque não havia ainda os detalhamentos e como tem que haver negociação do Congresso e tal.

 

ENGLISH VERSION

The expectation of the success of the government of Jair Bolsonaro in approving the pension reform is not restricted to the Brazilian market. According to the economist Carlo Barbieri, 71, president of the Oxford group, which advises in the United States, the reform will be “a division of water in relation to the decision to invest or not.”

“There is a renewed hope for Brazil. Of course, now, it depends on the government being able to prove that it is in the realm of the carriage, “he said. According to Barbieri, in addition to pension reform, changes in taxation and a privatization agenda must attract international capital.

“If it comes within a safe tariff, not only the US, but China, India and some European countries will seek a stable country with the capacity to give a better profitability. Brazil has to take advantage of this opportunity, “he says.

Here are some excerpts from the interview:

Poder360: How much does the discussion about pension reform affect the expectations of the US investor?
Carlo Barbieri: Brazil has suffered a decline in respectability over the past 8 years. Especially in the Dilma government, foreign investors came to see the country with a kind of red light.
Now, by the United States, the expectation is that Brazil becomes a great partner. Proof of this is that the State departments list as the most important languages ​​Chinese, Arabic and Portuguese. All the effort is currently in preparation for a meeting between the two countries that is likely to happen in April to finalize agreements.

Besides pension reform, what other movements call attention to the new government?
Without Welfare Reform and without institutional security, many things will not be achieved. And institutional security has a great force because our Supreme Court has given instability in the decision-making process. So, even with the pension reform being approved, the Supreme’s actions will deserve a lot of attention from the investor.

Does the episode of milk powder hinder expectations of trade liberalization?
It does not detract from the credibility that there will be a trade opening. In the countries of the Northern Hemisphere, agricultural protection is a determining factor. Now, that has to show itself in practice. What everyone expects – and some fear – is that bilateral agreements gain strength.
Brazil had several moorings. One is from Mercosur, which prevents Brazil from making several agreements individually and in its interest. Apparently, from what is read, there is a willingness of the Brazilian government to remove this limitation and negotiate with the areas of interest. The 2nd mooring is more ideological. Brazil has given preference to negotiations within the Southern Hemisphere.
The Brazilian industrial sector will benefit especially in two respects: if a bilateral trade agreement with the USA is actually made and because of the US-China trade war itself.

What are the risks and opportunities that Brazil has within this dynamic of the commercial war?
In fact, the risk is not to seize opportunities. A country like the United States, which has a trade balance deficit of $ 800 billion, should fill this gap with China’s products with those of other countries. Brazil has a very prepared industry, capable of occupying part of this space.
But we have an internal homework to do: the structure of both Apex and Itamaraty in recent years has been prepared for negotiations with countries in the Southern Hemisphere more broadly. The foreign trade technical staff of the 2 is not prepared or is against this approach.
But time runs against us, the sooner we close these deals and direct foreign trade policy to developed countries, the more we will have benefits.

The government, through the president and the chancellor, has given statements that indicate this approach. What practical measure does this positioning refer to?
I would say that there is one more element of speech, more a manifestation of intention. On the part of the US government, the government here in Florida where Brazil is the main trading partner, are extremely interested.
There is a provision in this sense, but as the following caveat: the decision of the chancellor and the president does not find a reflection on the basis of work to make this happen because there were 16 years of another line of thought within the bodies responsible for this. So the homework is much bigger than the opportunities and what they require in terms of time.

In the meantime, what can be done? The Economy Minister has already said that the process of opening trade will only happen along with the tax reform, which, in turn, will only be sent after the pension reform.
I think the private sector has to take the lead in this process. The Economy Minister has already made an emphatic statement saying: “We are going to save Brazilian industry despite Brazilian industrialists”.

Our external reading was as follows: “Spend less money in lobbying for government and more money in your productive capacity to seek new markets.” And I expect the business sector to react quickly and positively to that.

What was the impression that both the president and the minister caused in Davos despite not having talked so much with the press?
The impression we had out here was the best it could have been. There was a clear statement of intent, right? No one expected the pension plan to be tax, be it Social Security, be detailed. Firstly because there were not yet the details and how there has to be negotiation of the Congress and such.

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