Brasil precisa de um Estado mais eficiente

O próximo presidente receberá um país de enorme potencial, mas pressionado por um modelo econômico que cobra caro de quem produz, investe e gera empregos. O Brasil precisa enfrentar uma realidade que já não admite soluções paliativas: o Estado custa demais, a carga tributária é excessiva, o capital é caro e empreender continua sendo desnecessariamente difícil.

Mais do que medidas isoladas, o país precisa de objetivos econômicos capazes de sobreviver às eleições e às mudanças de poder.

O primeiro desafio é fiscal. Não existe desenvolvimento sustentável com dívida pública crescente, déficits persistentes e uma estrutura de despesas que deixa pouco espaço para investimentos produtivos. A solução, entretanto, não pode continuar sendo a criação de novos impostos sempre que as contas públicas não fecham.

O Brasil precisa gastar melhor e gastar menos.

É necessário revisar despesas, privilégios, estruturas redundantes e programas que não entregam resultados proporcionais aos seus custos. Responsabilidade fiscal significa estabelecer prioridades e compreender que os recursos retirados da sociedade por meio dos impostos deixam de financiar consumo, inovação, investimentos e geração de empregos.

Ao mesmo tempo, o país deve estabelecer como objetivo estratégico a redução gradual e responsável da carga tributária. Isso não significa comprometer serviços públicos essenciais, mas construir um Estado mais eficiente, capaz de entregar melhores resultados utilizando uma parcela menor da riqueza produzida por cidadãos e empresas.

O segundo desafio é o custo do capital. Juros elevados penalizam o governo, as empresas e as famílias. Uma empresa que pretende construir uma fábrica, ampliar sua produção ou iniciar um novo projeto precisa considerar juros, impostos, burocracia e risco regulatório. Quando essa soma se torna excessiva, o investimento procura outro destino.

Não haverá redução estrutural dos juros sem credibilidade fiscal. Controle dos gastos, equilíbrio da dívida e previsibilidade econômica são condições fundamentais para reduzir o risco brasileiro e o custo do dinheiro.

O terceiro desafio é tornar o Brasil um país no qual seja fácil empreender.

O empreendedor não pode continuar sendo tratado como adversário do Estado. É ele quem assume riscos, investe, inova, produz e cria empregos. Abrir uma empresa, contratar, importar, exportar, investir e cumprir obrigações tributárias precisa ser muito mais simples.

A reforma tributária representa um avanço, mas simplificar impostos não basta. É necessário eliminar exigências redundantes, digitalizar processos, estabelecer prazos para decisões administrativas e ampliar a segurança jurídica e regulatória.

Capital produtivo exige previsibilidade. Quem investe hoje precisa saber quais serão as regras amanhã.

O Brasil reúne vantagens extraordinárias: recursos naturais, energia, agronegócio competitivo, mineração, petróleo, indústria, mercado consumidor e capacidade empresarial. O problema não é a falta de oportunidades, mas o fato de que o custo Brasil frequentemente transforma essas vantagens em oportunidades desperdiçadas.

O próximo presidente precisará ter coragem para enfrentar essa estrutura. O caminho passa por menos impostos, menos desperdício público, equilíbrio fiscal, juros estruturalmente menores, segurança jurídica e mais liberdade para quem produz e empreende.

O Estado deve ser forte onde é necessário, mas não pode ser pesado onde atrapalha.

Se o Brasil quiser voltar a crescer de forma consistente e recuperar a confiança dos investidores, terá de abandonar soluções de curto prazo e construir uma estratégia nacional de desenvolvimento.

O Brasil não precisa de um Estado maior. Precisa de um Estado melhor: mais eficiente, responsável e capaz de permitir que a sociedade produza, invista e prospere.

Esse deve ser um dos pilares de um verdadeiro Projeto de Estado para o Brasil.

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