matéria publicada originalmente pela rede de noticias NewMen: https://newmen.pt/big-tech-e-o-desafio-americano/

Depois da segunda guerra mundial o mundo dividiu-se, basicamente, em duas alternativas: o capitalismo, liderado pelos EUA e Europa, e o comunismo liderado pela então União Soviética. Claro, tivemos as nações “não alinhadas” que negociavam a sua relação com os dois lados.

Mas, o que tínhamos eram nações soberanas a lutar pelos eus destinos, pelo melhor para as suas populações.

Os acordos multilaterais generalizaram-se e a economia internacionalizou-se, tratando de superar as fronteiras nacionais em comercio de bens e serviços.

Gradualmente os EUA foi, mesmo sendo o maior produtor de alimentos e exportador de bens, ganhando espaço na exportação de serviços.

Segundo os dados disponíveis no Departamento de Comércio, em 2019 os EUA exportaram $853,3 bilhões contra uma importação de $564,3 bilhões em serviços privados.

Os serviços, como um todo, totalizaram $1,7 trilhões enquanto as importações de serviços de terceiros países somam $1,2 trilhões, lembrando que boa parte desta importação” vem de filiais de empresas americanas localizadas offshore, por razões tributárias.

Hoje a única área superavitária da balança de pagamentos americana está na área de serviço.

Para defesa do poder dos governos, gradualmente, os ideais globais foram sendo substituídos por acordos bilaterais, que ganharam espaço nas últimas décadas, particularmente durante a administração do presidente Trump.

Mas, o “monstro” das Big Tech não tinha mais ligação com o país que lhe deu origem. Tinham e têm interesses delas mesmas, muito superior aos interesses do país que é seu berço inicial.

A perda de biliões de dólares gastos a mais, em função das regras de imigração de profissionais levadas a cabo no governo anterior e a guerra comercial com a China, que subiu os custos de seus produtos fabricados na China, deu o impulso que faltava para que as Big Tech buscassem nas eleições um poder no país que o subordinasse aos seus interesses comerciais.

Hoje não se vê mais o interesse americano em assegurar benefício para suas empresas, mas as Big Tech subordinando o Governo americano a defender os seus interesses.

Vale considerar se a proposta da Secretária do Tesouro americano Janet Yellen,  em criar uma tributação global para as multinacionais, visa taxá-las ou protegê-las de impostos nacionais, que cada vez mais lhe são impostos.

A Europa defendeu-se como pode dessas corporações, com regras e limitações e, seguramente, saiu-se melhor que os EUA.

Mas, a aliança das High Tech com a China traz um grande desafio para os governos ocidentais.

A China tem interesse no poder, e, segundo o documento do Partido Comunista Chinês, dominará o comércio mundial pela logística até 2025 e, com muita eficiência, caminha para isso com a rota da seda na Europa, o controle das duas entradas do canal do Panamá, a aquisição de grandes portos e feitura de ferrovias na África e América Latina, entre outros e múltiplos exemplos.

Trata-se uma grande aliança, que os EUA sucumbiram.

Não que esta situação coloque em risco a economia e a prosperidade americana. Pelo contrário. É do interesse geral China e Big Tech manter os EUA como gerador de tecnologia de ponta e capitalizador das empresas do mundo todo, inclusive e principalmente as chinesas e as de alta tecnologia.

Alguns até dizem que os EUA serão o novo Hong Kong da China mas, isto já está acima do que se pode considerar como válido no momento.

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