Por decreto assinado pelo presidente Donald Trump, as fronteiras estão fechadas para pessoas vindas do Brasil. As exceções incluem cidadãos norte-americanos, estrangeiros com visto de residente ou que tenham parentes próximos morando legalmente nos Estados Unidos. Ainda não está confirmada quando será a reabertura.

O jornalista e pesquisador da área de imigração Rodrigo Lins contou à RFI que muitos negócios de brasileiros não resistiram à pandemia e que as perspectivas para imigrantes sem documentos acabaram se estreitando, já que estes, além de não se beneficiarem das ajudas financeiras do governo, se enquadraram no acordo de deportação.

“Alguns restaurantes brasileiros fecharam, empresas brasileiras não conseguiram se manter, e também existe uma quantidade muito alta de pessoas que estão voltando ao Brasil por que não conseguem se manter nos Estados Unidos (sem emprego por causa da pandemia). Agora houve o cancelamento de alguns voos, as empresas aéreas diminuíram os voos, mas, pra ter uma ideia, na semana passada contabilizamos o décimo sexto avião de brasileiros deportados aqui dos Estados Unidos para Minas Gerais, seguindo um acordo de deportação feito entre os presidentes Jair Bolsonaro e Donald Trump”.

Lins fez um panorama sobre o perfil de imigrantes brasileiros que mudaram nos últimos cinco anos para os Estados Unidos no livro “Internacionalize-se: Parâmetros para levar a carreira profissional aos EUA legalmente”. O pesquisador acredita que vá haver no Brasil uma onda de pessoas que queiram tentar o sonho americano pós-pandemia, mas alerta que “os países estão tentando proteger seus cidadão até na corrida por um emprego e, principalmente na gestão Trump, há tolerância zero para imigrantes que queiram vir arriscar sem estar dentro da conformidade legal.”

Terra de oportunidade

Para o economista e consultor jurídico Carlo Barbieri, que mora nos Estados Unidos há 30 anos, as medidas protecionistas devem ser intensificadas, mas ao mesmo tempo há um leque de oportunidades que podem ser estudadas e que devem permanecer abertas, já que os Estados Unidos não conseguem, muitas vezes, suprir com mão de obra nacional a demanda do mercado.

O economista e consultor jurídico Carlo Barbieri,
O economista e consultor jurídico Carlo Barbieri, © Arquivo Pessoal

“Os Estados Unidos têm 140 tipos diferentes de vistos. Então algum visto pode ser possível para pessoa vir para cá; tem visto de alta especialização, de babá, de motorista de caminhão. Há uma série de vistos possíveis, que eu recomendaria que a pessoa interessada buscasse essas informações, porque é muito difícil que uma pessoa não se enquadre em algum tipo de visto. Nem que venha para estudar e a partir daí conhecer os Estados Unidos e preparar-se para morar aqui”.

Barbieri destaca que 75% da força agrícola dos Estados Unidos é formada por imigrantes e até esse visto pode ser uma possibilidade. Para isso, os interessados precisam encontrar uma empresa que está contratando e se candidatar a uma dessas vagas, planejar essa vinda e ter dinheiro em caixa para apostar nesse recomeço.

O consultor aconselha os interessados a fazer muitas pesquisas, procurar advogados que possam mostrar o leque de possibilidades de vistos e não se aterem apenas aos mais comuns.

A vinda de milionários e empresas

O consultor revela que, inclusive durante a pandemia e com o dólar que quase bateu os R$ 6, houve uma grande procura de brasileiros tentando o visto de investidor (EB-5) nos Estados Unidos. Para brasileiros conseguirem esse visto precisam investir US$ 900 mil e contratar, pelo menos, dez funcionários. O valor até novembro passado era de US$ 500 mil, mas quase dobrou no único reajuste dos últimos 29 anos.

“É uma imigração de pessoas que têm recursos, capacidade investidora, mas pelo que a gente conversa com os clientes, eles estão preocupados com o futuro dos filhos, da família, com a segurança deles e principalmente buscando um mercado mais estável. Então há uma demanda grande de investidores querendo vir para cá porque não sentem muita confiança nas perspectivas, a curto prazo, pelo menos, da economia brasileira”

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