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Carlo Barbieri*

Qual o futuro do dólar? Como economista atuante no mercado americano há mais de 30 anos posso afirmar que esta é a pergunta que mais recebi ao longo deste tempo.

Mais recentemente, devido aos fatos políticos inusitados relacionados ao Supremo Tribunal Federal brasileiro e a possível ruptura da imparcialidade em temas relevantes para a sociedade, voltou a aumentar o número de brasileiros que nos procuram para buscar informações sobre a confiabilidade no dólar.

Sempre registro algumas considerações com relação ao valor atual do dólar e o que pode variar. Primeiramente, vale destacar que o volume brasileiro de operações cambiais é muito pequeno, ficando sujeitas às influências de fatores como a expectativas de venda das áreas de petróleo da Petrobrás e do lançamento de um IPO de empresa em Nova Iorque de pouco mais de $2 bilhões mais recentemente. 

As variações do dólar comercial nestes dois eventos bem demonstram o quão pequeno é o mercado e, em consequência, como ele pode ser afetado por pequenos fatores, que a nível internacional, seriam periféricos.

Em segundo lugar, há fatores reais a considerar: Com a queda da taxa de juros no Brasil, há um forte movimento das empresas brasileiras ou sediadas no Brasil de trocarem seu endividamento externo, por interno, aproveitando os juros muito baixos no Brasil o que não acontecia há décadas.

Por outro lado, nossos superávits na balança comercial vêm diminuindo, o que coloca em risco nossas reservas que têm nele uma forte fonte de obtenção de recursos.

Adicionalmente, não está havendo entrada de recursos em forma de investimento, apesar da reforma da previdência, pois o investidor estrangeiro, não sente a segurança jurídica necessária no Brasil. O Brasil caiu muitas posições no ranking de países confiáveis para se investir.

Fatores que os investidores externos podem estar a considerar são: o aparente enfraquecimento do combate à corrupção e a atuação do atual parlamento que segue, como sempre, mais voltado a interesses particulares do que públicos, permanecendo distante dos interesses da economia brasileira e da sociedade de modo geral.

Por último, apenas para simplificar, com as taxas de juros atuais, não se torna atraente investir no Brasil em renda predeterminada de 6% ao ano, nas instituições financeiras, quando, nos EUA, há instituições de grande porte onde se pode conseguir 9% ao ano. É uma diferença bem considerável aos olhos dos investidores.

Esta foi a razão para a inteligente declaração do ministro Paulo Guedes sobre o câmbio brasileiro, tão mal interpretada pelos “experts”.

Seguramente, quem analisa todos estes fatores acima, viu na declaração do ministro, uma forma clara de tentar atrair investimentos de longo prazo das empresas estrangeiras, que possam instalar parques industriais no país. Que estas empresas sejam atraídas pela possibilidade de terem lucros mais significativos na produção de produtos para serem vendidos no mercado externo.

Isto ocorre, justamente, quando as fábricas americanas e de outras nacionalidades, instaladas na China, buscam novos locais para desenvolver sua produção, sabendo que esta “guerra” tem um sentido muito mais estratégico a longo prazo do que uma mera equação da balança comercial americana no curto prazo.

Assim, mesmo considerando as incertezas do Brasil, não se deve esperar que ocorra uma baixa significativa no valor do real frente ao dólar nos próximos meses. 

*Carlo Barbieri é analista político e economista. Com mais de 30 anos de experiência nos Estados Unidos, é Presidente do Grupo Oxford, a maior empresa de consultoria brasileira nos EUA. Consultor, jornalista, analista político, palestrante e educador. Formado em Economia e Direito com mais de 60 cursos de especialização no Brasil e no exterior. oxfordusa.com/

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The future of the dollar in Brazil

Carlo Barbieri *

What is the future of the dollar? As an economist working in the US market for over 30 years, I would say this is the question I have been asked the most over this period of time.

More recently, due to the unusual political facts related to the Brazilian Supreme Court and the possible breach of impartiality in matters relevant to society, the number of Brazilians who come to us for information on the reliability of the dollar has increased again.

I always establish some considerations regarding the current value of the dollar and that it may vary. Firstly, it is noteworthy that the Brazilian volume of foreign exchange operations is very small, being subject to the influence of factors such as the expectation of sale of Petrobrás oil areas and the launch of a company IPO of just over $ 2 billion, more recently.

The fluctuations in the trade dollar in these two events clearly shown how small the market is and, as a result, how it can be affected by small, peripheral factors.

Secondly, there are real factors to consider: With the falling interest rate in Brazil, there is a strong movement of Brazilian or Brazilian-based companies to switch their foreign debt to domestic debt, taking advantage of very low interest rates in Brazil, which is not the case. It is going on for decades.

On the other hand, our trade balance surpluses have been shrinking, jeopardizing our reserves, which have a strong source of funds.

Additionally, there is no inflow of funds in the form of investment, despite the pension reform, as the foreign investor does not feel the necessary legal certainty in Brazil. Brazil has dropped many positions in the ranking of being a reliable country to invest in.

Factors that foreign investors may be considering are the apparent weakening of the fight against corruption and the current parliament’s performance, which, as always, is more focused on private rather than public interests, remaining distant from the interests of the Brazilian economy and the society as a whole.

Finally, just to simplify, with current interest rates, it is not attractive to invest in Brazil at a predetermined income of 6% per year in financial institutions, whereas in the US there are large institutions where 9% can be raised per year. It is a very considerable difference in the investors judgement.

This was the reason for Minister Paulo Guedes’s clever statement about the Brazilian exchange rate, so misunderstood by the experts.

Surely those who look at all of these factors above understood in the minister’s statement a clear way of trying to attract long-term investments from foreign companies that might set up industrial parks in the country. These companies may be attracted by the possibility of making more significant profits from producing products to be sold overseas.

This is precisely when US and foreign factories in China are looking for new places to develop their production, knowing that this “war” has a much more strategic sense in the long run than a mere American trade balance equation in the short term.

Thus, even considering Brazil’s uncertainties, one should not expect a significant decrease in the value of the real against the dollar in the coming months.

* Carlo Barbieri is political economist and analyst. With over 30 years of experience in the United States, he is President of the Oxford Group, the largest Brazilian consulting firm in the US. Consultant, journalist, political analyst, lecturer and educator. Graduated in Economics and Law with over 60 specialization courses in Brazil and abroad. oxfordusa.com/

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