“Cada vez mais brasileiros estão dispostos a investir um valor alto, de quase R$ 2 milhões, para imigrar para os Estados Unidos. Ao todo, entre investidores e parentes próximos, 388 vistos do tipo EB-5 foram concedidos para brasileiros no ano passado (2018). A modalidade uma aplicação mínima de US$ 500 mil em negócios nos EUA.
Conhecido como “visto de investidor”, o EB-5 não era tão popular, no Brasil, antes da crise. Em 2015, no início da crise, apenas 34 brasileiros receberam o green card americano por meio do programa. De lá para cá, o número disparou — hoje é dez vezes maior.
Muito disso é atribuído por analistas ao fator “desespero”. Como o EB-5 garante o direito permanente de morar nos Estados Unidos para investir, cônjuge e filhos, muita gente buscou o programa como uma forma fácil e rápida de fugir do Brasil.
“Mas há alguns riscos, muitas vezes ignoradas por esta turma do desespero, que podem implicar em uma não obtenção do visto ou na perda do capital investido.
O EB-5 exige um investimento mínimo de US$ 500 mil em um negócio novo, que deve comprovar a criação de, no mínimo, 10 novas vagas de emprego. 
Na modalidade mais comum, o investidor não investe em seu próprio negócio, e sim em algum empreendimento designado por centros regionais distribuídos pelos Estados Unidos. Em geral são empreendimentos localizados em regiões carentes do país.
Uma série de cuidados devem ser tomados na hora de escolher estes centros. Caso o projeto vá a falência, há o risco de não comprovar a criação de 10 vagas de emprego e não obter o green card. Além disso, há casos de pessoas que obtêm o visto, mas perdem o dinheiro investido
“O investidor precisa identificar qual a “saída estratégica” prevista para aquele investimento, avalia o consultor econômico Carlo Barbieri, diretor da Oxford Group, que há três décadas trabalha com o EB-5. Ou seja, se o empreendimento têm capacidade de andar com as próprias pernas e devolver o valor investido ao final do prazo.
“Outro fator é a proporcionalidade. “Nos projetos de insucesso que acompanhamos, em geral eles colocavam que 90% do financiamento viria de EB-5, o que é um fator de insegurança muito forte”, avalia o consultor.
Empresa do setor hoteleiro, que constrói para marcas como Hilton e Sheraton, a Driftwood utiliza o EB-5 para captar dinheiro quando vai construir um hotel novo. O diretor de investimentos da Driftwood, Andre Salles, explica que a empresa primeiro compromete capital próprio e de financiamentos bancários para garantir a obra, e depois substitui parte deste valor pelo que for captado via Eb-5.
“Para nós é uma forma mais barata de captação do que via capital próprio ou financiamento. E para os investidores é interessante porque eles recebem o dinheiro de volta, uma rentabilidade, e também o green card”, avalia Sallers.
“A empresa trabalha com duas modalidades de captação mediante EB-5. Uma mais conservadora, em que o investidor recebe o dinheiro de volta ao final de cinco anos, além de uma rentabilidade de 2% ao ano. E outra, de maior risco, em que o investidor vira sócio do negócio, só recebe o dinheiro de volta quando o hotel for vendido (em geral ao final de sete anos), mas com maior rentabilidade, que pode chegar a 8,5% ao ano.
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